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11/10/2021

Recordes foram quebrados na maior ultramaratona da América do Sul

 

Entre 16 e 25 de setembro de 2021, na cidade de Engenheiro Paulo de Frontin (RJ), foi disputada a 1000km Brasil. Considerada a maior ultramaratona da América do Sul, a competição reuniu diversos homens e mulheres em busca da superação dos próprios limites, com objetivo de correr 1000 km em até dez dias. O vencedor e a vencedora são aqueles que atingirem a distância em menos tempo. Além da modalidade de 1000km, tem também a de 500km, com a metade da distância e do limite para conclusão.

 

Organizada por Márcio Villar, a prova consiste em o atleta correr no mínimo 100 km por dia, entre 6h e 00h, senão é desclassificado. A cada dia, na largada, às 6h da manhã, o participante que não estiver na linha de largada também é eliminado.

 

A competição, além do grande desafio físico, é também um teste mental de grandes proporções, uma vez que, além da longa distância e longos períodos de corrida, ela é realizada em um percurso de 1.175 m, em volta de um lago. Portanto, os concluintes da prova precisam completar quase mil voltas no percurso!

 

Conversamos com os campeões, que bateram o recorde da competição, que teve um tempero a mais este ano, com dias de muita chuva, deixando o percurso, de terra batida, mais pesado.

 

Campeão e recordista no masculino

Luiz Cláudio dos Santos, conhecido como Luiz Trequim, tem 44 anos e é da cidade mineira de Santa Luzia. Ele já havia sido campeão da edição de 2019, e, conta como foi sua saga em busca do bicampeonato.

 

Ele corre há oito anos e afirma ter a sensação de dever cumprido. Com uma estratégia de manter a constância, saindo da pista o mínimo possível ao longo do período de competição, seguindo a lógica do “devagar e sempre”. Com isso, ele correu por cerca de 18 horas na maioria dos dias, alternando com trotes e caminhadas, para promoção de um “descanso ativo”.

 

Sobre a alimentação, o atleta afirma que não é muito adepto a suplementos, preferindo uma alimentação o mais natural possível. “Sou da turma natureba, foi muito ovo e batata doce, tomei muito soro para manter a hidratação”, afirma.

 

O treinamento para uma prova dessas é pesado, mas Luiz afirma que enfrentou problemas, por causa da covid e problemas pessoais, e não conseguiu treinar como queria, mas mesmo assim chegou preparado. Ele não revela seu volume de treinos, afirmando ser segredo!

 

A experiência também foi sua grande aliada. Como era sua terceira participação na prova, já estava bem preparado psicologicamente. “Mas nos momentos de baixa lembrava da minha campanha de arrecadação de brinquedos, no empenho da minha equipe Team LL - Instituto Jacqueline Terto, assim achava forças para continuar”, declara, citando a campanha beneficente que havia promovido para arrecadar doações de brinquedos para crianças carentes.

 

 Luiz declara que o clima dificultou muito a vida dos corredores. “Enfrentamos sol, chuva, ventania, nevoeiro, frio, calor… À medida que a quilometragem aumentava, muitos atletas iam ficando pelo caminho, são lesões, bolhas, assaduras, fadiga…”.

 

Ao final da prova, apenas quatro, dos 26 atletas que largaram, atingiram os 1.000 km, sendo três homens e uma mulher. Nos 500 km foram três atletas, dois homens e uma mulher.

 

Trequim fechou a prova com 8 dias, 16 horas, 18 minutos e 16 segundos, estabelecendo o novo recorde!

 

Campeã e recordista no feminino

 

 

Fabiana Antunes Bannwart tem 48 anos, sendo 19 de corrida. Ela veio da capital paulista para desafiar seus limites, e foi a única mulher a concluir a prova.

 

Foi sua segunda vez na competição. Na primeira, ela abandonou com 745 km, por causa de diarréia. Este ano, com a conclusão e o recorde de mais de uma hora a menos, ela afirma que a sensação é a mais satisfatória do mund. “Ainda não caiu a ficha, mas a felicidade é sem explicação”.

 

Em sua estratégia, ela afirma que procurava sempre encaixar uma quantidade de voltas a cada hora para não baixar o ritmo e não se cansar tanto. “As primeiras 6 horas só no trote leve e depois fazia trote com caminhada, mas sempre com a meta de 60 voltas ou mais com 12 horas de prova, para encaixar alimentação, curativos e massagens, se fosse preciso”.

 

Fabiana tem vasta experiência em provas de 12 horas, 24 horas e 48 horas, então, todos os dias ela dificilmente saía da pista, sempre se imaginava em uma prova de 12 horas, e por isso para acabar a prova com mais folga.

 

Sobre a alimentação, ela declara ser um quesito muito importante. Ela afirma que comia muito, e procurou levar todas as coisas que gosta, desde doces a salgados, para beliscar. “Comemos muito carboidrato, como batata, mandioca, bolachas, pães, salgadinhos; comemos proteína, como atum, carne, frango, tudo menos saladas. Também às vezes sopas, purês, muito chá de gengibre, água, caldo de cana, açaí, banana…”. Ela afirma também que usou suplementos, como vitamina D,C ,E, carboidratos em pó, palatinose, whey, cápsulas de sal, entre outros, com acompanhamento de seu nutricionista.

 

Em seu treinamento, Fabiana percorre de 120 a 140 km por semana, divididos em até três treinos diários, pela manhã, tarde e noite, seja na rua, ou na esteira, sempre pensando nos horários da prova.

 

Ela declara que o aspecto psicológico já foi treinado para o que iria enfrentar, porque já tinha ido em 2019. “Não pensei em desistir, porque não deixei meu cérebro me dominar com pensamentos negativos. Tudo foi trabalhado com meu treinador físico e mental”.

Ela finaliza, afirmando que, para concluir uma prova dessas é preciso ter uma boa equipe de apoio, além do acompanhamento do nutricionista e treinador, que foram fundamentais para o resultado.

 

Fabiana concluiu os 1000 km em 9 dias, 15 horas, 14 minutos e 31 segundos.