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29/09/2021

TODA MINHA REVERÊNCIA A MONS ULTRA TRAIL

As intempéries incríveis da vida me fizeram ajustar a rota e correr uma distância menor que o planejado na Mons Ultra Trail. 

Estava inscrito nos 104 km, achando que enfrentaria muita altimetria, mas desacreditado de que teria tanta dificuldade de percurso. 

 

Olha, com franqueza, agradeço por ter mudado para os 55 km. Embora estivesse numa boa preparação, estaria longe do ideal para esta prova (me inscrevi 40 dias antes) e ela seria (e foi) treino para a Ultra Trail Amazônica.

 

✓ Percurso: Além de subir demais, o percurso é técnico quase que o tempo todo. Dos 55 km que corri, o percurso era travado em pelo menos 30 km. A prova vai te minando aos poucos. Você faz força o tempo todo para subir, e gera tensão na musculatura para descer, porque você não desce solto. Se você tirar um segundo do foco na descida, "chão", e é "chão" feio. Isso faz com que seu cérebro queime muita energia. Inacreditável! Eu comia, comia... E não repunha o suficiente. Sentia que precisava de mais e mais repositores.

 

A umidade da mata atlântica, tanto próximo ao nível do mar, como nos pontos mais altos, além do clima abafado, arrancam cada gota de líquido que você tem no corpo. Farei outro vídeo do que comer em uma prova destas.

Em quase todos os pontos você via o desenho das derrapadas e capotes do povo, quase dava para desenhar na mente como foi a queda. Em alguns pontos, após a derrapada, o desenho de um corpo no chão. "É, meu amigo, esta deve ter doído!

 

O charco era tão denso, que era impossível progredir. Quando terminava este, vinham subidas com pedras lisas, que você tinha de pegar com as mãos e puxar seu corpo para cima. Bastões não ajudavam ali.

 

Embora ame as montanhas, não é o terreno onde me saio melhor. Não sou forte na subida e minha descida não pode ser em terreno tão técnico. Não tenho a desenvoltura, nem a coragem de uns malucos que vejo descendo como se tivesse um par de pernas novas, esperando por ele para troca lá embaixo.

 

A lesão no tornozelo me fazia travar em muitos pontos, e o medo reduzia o ritmo. Em todo momento, tinha de me lembrar que não estava competindo. Era uma retomada. Uma retomada triunfal, eu diria. 17 dias após o rompimento de ligamento total do tornozelo, um homem correndo nas montanhas, quase de igual para igual com grandes atletas. 

 

✓Paisagens: Ah, cara, volte um post no meu Instagram, que ele falará por si. O que é isso, Nova Trento? Onde você estava, que eu não te conhecia antes? Suas belezas me encantaram mais que as curvas de Santos ao Rei.

 

✓ Sinalização: Para mim, impecável. Houve alguns relatos de pessoas que se perderam um pouco nas distâncias maiores, mas quem não se perde, em tanta mata, por tantas horas e o corpo com sono?

 

✓PC's: Este ponto tem de melhorar. Não entregou o que prometia na maioria deles. Chegava e era só água e alguns, água captada de nascente (não foi legal). O atleta conta com aquela reposição.

 

✓ Kit: Também tem de melhorar. Uma camiseta e uma viseira é pouco para o valor de inscrição. Achei que faltou criatividade e mais ainda na medalha, mudando apenas na fita a distância. Medalha bonita é aquela que vem cravada nela a distância que cada um percorreu. Eu sei dos custos, mas isso tem de estar contemplado. A medalha é o "troféu" do amador, que é a maioria na prova.

No mais, nada que apagou o brilho e o grande encontro e retomada. Que reencontro delicioso com atletas de todo o Brasil.

 

Parabéns, Mons Ultra Trail e Nova Trento por suas belezas e dureza. Vcs testaram meus limites!

 

Até ano que vem, espero que com medalha linda e muita comida nos PC's.

 

Sérgio Garcia

Ultramaratonista

Idealizador da Equilíbrio Esportes